O homem não é nada quando enfermo. Não pisa firme. Infirmu. Em latim ou em português, a dor é sempre cruel. Não tem afirmação nenhuma. Não consegue ser ele mesmo. E nem se reconhece em frente ao espelho. O homem com dor, seja a dor física ou psíquica, perde seus poderes e não serve nem para anti-herói. A dor dói doída. Redundâncias poderiam explicar a dor?
Enganam-se aqueles que pensam que apenas os recém-nascidos não conseguem explicar a dor porque ainda não pronunciam palavra. Afinal, que palavra há para explicar uma dor? Pode-se engolir um dicionário e ainda assim o homem nunca saberá explicar a dor. Pode até dizer onde é a região do sofrimento, onde é que arde, comprime, espreme, queima, fode. A dor fode com a gente. Mas não se pode traduzir em palavra a quantidade do sofrimento que aquela dor está impondo ao reles ser humano, que neste momento não passa de uma criança, de um indefeso, de um vegetal, de um mórbido, de um rato que está prestes a morrer no laboratório.